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Presidente Donald Trump detalhou na última quarta-feira (2) uma série de tarifas recíprocas impostas a mais de 180 países, incluindo importantes parceiros comerciais dos Estados Unidos. Trump faz comentários sobre tarifas na Casa BrancaCarlos Barria/ReutersO "tarifaço" anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última quarta-feira (2) deixou de fora uma pequena lista de países, de diferentes continentes. (veja abaixo a lista completa)Os motivos para a exclusão dessas nações da lista de tarifas são variados. Alguns países, como México e Canadá, já possuem suas próprias tarifas. Outros têm uma relação comercial limitada com os EUA devido a tarifas próprias ou sanções econômicas e políticas que duram anos.Além disso, há países que não possuem um superávit significativo com os EUA e, por isso, não foram incluídos. Sanções e taxas diferenciadasEntre os países que sofrem sanções dos EUA estão Rússia, Belarus, Coreia do Norte e Cuba — alguns com penalidades que duram décadas.Segundo Carolina Müller, sócia e especialista em comércio internacional do Bichara Advogados, esses países não possuem "relações comerciais normais" com os EUA e já enfrentam tarifas diferenciadas impostas pelo governo norte-americano."Além das tarifas diferenciadas, esses países são objeto de restrições de importação e exportação, além de sanções relacionadas à proibição de participação em operações com indivíduos e empresas sancionadas desses países, restrições para operações financeiras e congelamento de bens de propriedade de empresas e indivíduos sancionados, entre outros", afirma a executiva.???? Sanções são penalidades impostas por um país a outro para impedir ações agressivas ou violações do direito internacional.Entenda abaixo as principais sanções para:RússiaBelarusCoreia do NorteCubaRússiaA Rússia tem enfrentado sanções impostas pelos EUA (e outros países) desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.As últimas sanções contra a Rússia foram impostas em março deste ano. Segundo a CBS News, a Casa Branca permitiu que expirasse uma pausa de 60 dias nos bloqueios aos sistemas de pagamento americanos, concedida pelo governo Biden.Com o fim desse período, os bancos russos não poderão mais acessar esses sistemas para realizar transações envolvendo contratos no setor de energia, dificultando a compra de petróleo e gás russos por outros países.Além disso, Trump tem constantemente ameaçado aplicar mais sanções e tarifas aos russos para tentar forçar acordos de paz entre a Rússia e a Ucrânia.Outras sanções impostas à Rússia incluem a proibição da exportação de tecnologias que podem ser usadas para fabricar armas, a proibição da importação de ouro e diamantes da Rússia, e sanções contra oligarcas e outras figuras importantes.Desde 2022, EUA, União Europeia, Reino Unido, Austrália, Canadá e Japão impuseram mais de 16,5 mil sanções à Rússia. Volte ao início.BelarusEntre 2021 e 2022, EUA, União Europeia e Reino Unido também impuseram novas sanções contra Belarus, focadas em entidades e membros do governo do presidente Alexander Lukashenko.As autoridades do país foram acusadas de promover o contrabando de migrantes para a Europa, além de "ataques contínuos aos direitos humanos e liberdades fundamentais, desprezo às normas internacionais e repetidos atos de repressão".Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, naquele ano foram impostas sanções a 20 indivíduos e 12 entidades de Belarus, além de restrições à comercialização de parte da dívida soberana de Belarus por entidades americanas.Já em 2022, as sanções do Tesouro dos EUA congelaram todos os ativos que os envolvidos podiam ter nos EUA e proibiram qualquer transação através do sistema financeiro norte-americano.Volte ao início.Coreia do NorteA Coreia do Norte também tem um histórico de sanções impostas pelos EUA. Em 2017, durante o último mandato de Trump, os EUA incluíram a Coreia do Norte na lista de "países que patrocinam o terrorismo" após meses de tensões e trocas de ameaças entre Pyongyang e Washington.Um dia após a inclusão, o governo norte-americano anunciou sanções econômicas contra 13 empresas e entidades da Coreia do Norte e da China que fazem negócios com Pyongyang. Em 2018, Trump anunciou sanções contra 56 empresas da Coreia do Norte. Meses depois, durante um encontro com o líder norte-coreano, Pyongyang se comprometeu a desmantelar seu programa nuclear. No entanto, o acordo não incluía um cronograma ou medidas concretas para implementar o fim do programa.Em 2019, houve um novo encontro entre os dois líderes, que terminou sem acordo. Poucos meses depois, os EUA impuseram sanções contra duas empresas chinesas que teriam ajudado a Coreia do Norte a driblar sanções norte-americanas e internacionais contra seu programa de armas nucleares.Em 2020, a Coreia do Norte informou que não estava mais comprometida em interromper os testes nucleares e de mísseis. Os EUA tentaram várias reaproximações com o país nos anos seguintes — inclusive na gestão atual de Trump —, mas sem grande progresso.Além disso, especialistas afirmam que a Coreia do Norte não tem uma relação comercial significativa com os EUA."Em 2023, os EUA exportaram em torno de US$ 183 milhões para a Coreia do Norte, mas basicamente enviando vacinas, produtos para o agronegócio e alguns tipos de plástico e polímeros", explica o CEO da IDB do Brasil Trading e especialista em comércio exterior, Erick Isoppo. "A relação comercial não existe, o histórico é basicamente de ajuda humanitária, para ajudar a população, e não o governo", prossegue.O cenário também se explica pelo regime político autocrático da Coreia do Norte, que se define como um estado socialista autossuficiente. Essa política resultou em um grande isolamento econômico do país e em uma forte dependência da China.Volte ao início.CubaO histórico de retaliações dos EUA contra Cuba já dura mais de 60 anos, com um embargo econômico que inclui seis leis diferentes e várias regulamentações que proíbem ou limitam as relações comerciais com a ilha.O embargo foi condenado pela Assembleia Geral da ONU durante anos e causou inúmeros danos à população cubana. Em 2021, por exemplo, uma onda de protestos tomou conta do país, exigindo alimentos, remédios e vacinas."O que precisamos aqui é que as 243 medidas de bloqueio sejam retiradas e o embargo, suspenso. É a única coisa que Cuba exige", disse Miguel Díaz-Canel, presidente do país, à época dos protestos.O embargo, no entanto, continua em vigor e ainda limita o comércio entre EUA e Cuba.Volte ao início.Países anunciam retaliações e bolsas despencam após tarifaço de Donald TrumpCanadá e México: grandes parceiros com taxas específicasMéxico e Canadá só ficaram de fora da lista de tarifas de Trump porque fazem parte de um grupo de países com os quais os EUA já deixaram sujeitos a uma taxa específica de importação."A exclusão desses países foi expressamente prevista em ordem executiva editada pelo presidente norte-americano", diz Müller, do Bichara Advogados.Os dois países foram alguns dos primeiros países a serem taxados por Trump, que anunciou tarifas para eles já no primeiro mês de seu novo mandato.Desde então, Trump suspendeu as taxas por 30 dias, colocou-as em vigor e depois voltou a adiá-las. Por fim, apenas alguns produtos que não se enquadram no Acordo USMCA (acordo comercial entre EUA, México e Canadá) passaram a ser taxados com uma alíquota de 25% na última quarta-feira (2).Veja a lista de países que ficaram de fora do "tarifaço"BelarusBurkina FasoCanadáCazaquistãoCoreia do NorteCubaMacedôniaMéxicoPalestinaPalauRússiaSeichellesSomáliaVaticanoVolte ao início.